Agência federal libera maior captação de água do Cantareira para Grande SP

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Desde o começo do mês de fevereiro, limite dado para Sabesp é de 23 m³/s. Maior produtor de água da região, sistema abastece 5,7 milhões de pessoas.

Vista da represa do Jaguari-Jacareí, do Sistema Cantareira, em Nazaré Paulista, no interior do estado de São Paulo (Foto: Eduardo Carmim/Brazil Photo/Estadão Conteúdo)

Vista da represa do Jaguari-Jacareí, do Sistema Cantareira, em Nazaré Paulista, no interior do estado de São Paulo (Foto: Eduardo Carmim/Brazil Photo/Estadão Conteúdo)

Desde o início de fevereiro, a Sabesp está autorizada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) a captar mais água do Sistema Cantareira para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. O limite de captação subiu de 19,5 m³/s para 23 m³/s, um aumento de 17,9%. Um metro cúbico (m³) de água corresponde a 1 mil litros.

Até esta sexta-feira (19), a média de retirada de água na Estação elevatória Santa Inês no mês de fevereiro era de 18,76 m³/s para o abastecimento de 5,7 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Segundo nota técnica enviada pela Sabesp à ANA, a captação de água em janeiro ficou abaixo do limite determinado pelos órgãos reguladores, com “economia” de 3,5 m³/s.

A companhia ressaltou que fevereiro é o período de maior consumo de água por causa do retorno às aulas e o calor. Por isso, a agência federal considerou que o volume de água não captado poderia ser usado em fevereiro, “sem comprometer a recuperação do armazenamento do sistema, mas propiciando uma condição de maior conforto no abastecimento da população da região metropolitana”. A Sabesp garantiu que a vazão mensal de 23 m³/s “não fere o compromisso de recuperar o sistema”.

O Sistema Cantareira tem capacidade para armazenar 1.269 bilhões de litros (com o volume morto) e opera com 48,8% nesta sexta-feira. Após meses de dependência da reserva técnica, o manancial saiu do volume morto no fim de 2015 e usa, desde então, o volume útil para abastecimento. Especialistas no entanto, alertam que o Cantareira ainda não se recuperou da crise.

Para a bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), os órgãos regulares liberaram a retirada máxima de 3,5 m³/s em fevereiro.

Pedidos anteriores
A vazão máxima do reservatório (23 m³/s) havia sido solicitada pela Sabesp em janeiro, mas os órgãos reguladores decidiram manter a captação em 19,5 m³/s. Na época, a ANA afirmou que, apesar do aumento do índice de chuva no Sistema Cantareira em dezembro e janeiro, o manancial ainda não tinha retornado ao nível normal e defendeu que a operação de reservatório no período de chuva deve priorizar a recuperação das represas.

Um documento enviado pela ANA ao DAEE destacava uma simulação do armazenamento do Cantareira até dezembro de 2016, mostrando que, para garantir 20% do volume útil até dezembro, a vazão máxima que pode ser retirada do sistema é de 19,5 m³/s em fevereiro. Segundo a companhia, a água do Sistema Cantareira era essencial “para o encurtamento dos períodos de redução de pressão na rede de distribuição”.

Redução de pressão
Desde o fim de dezembro, a companhia diminuiu, em média, sete horas diárias o período de redução de pressão na rede na capital paulista e em cidades da Grande São Paulo. A empresa disse que a prática é usual desde a década de 1990 para reduzir perdas por vazamentos, mas com a crise hídrica no estado a ação de racionamento oficial foi intensificada.

O Cantareira chegou a atender 9 milhões de pessoas só na Região Metropolitana de São Paulo, mas hoje abastece 5,7 milhões por causa da crise hídrica que atingiu o estado em 2014.

Os sistemas Guarapiranga e o Alto Tietê absorveram parte dos clientes, para aliviar a sobrecarga do Cantareira durante o período de estiagem. Em janeiro deste ano, o Cantareira voltou a ser o principal sistema produtor de água da Grande São Paulo.

 Recuperação até dezembro

A Agência Nacional de Águas também apresentou, no documento enviado ao DAEE, uma simulação do armazenamento do Cantareira até dezembro de 2016, mostrando que, para garantir 20% do volume útil até dezembro, a vazão máxima que pode ser retirada do sistema é de 19,5 m³/s.

No mês em que o  Cantareira conseguiu recuperar o volume morto, a Grande São Paulo registrou a maior taxa de aumento no consumo de água em 2015. Em dezembro, 23% dos clientes da Sabesp consumiram mais do que a média, antes do início da crise hídrica. Os índices se repetiram em janeiro de 2016.

Dos 23%, 14% dos clientes tiveram que pagar multa, outro recorde desde o começo da cobrança de sobretaxa, em fevereiro de 2015. O restante dos clientes (9%) não foi multado porque consome o volume mínimo de 10 mil litros por mês, explicou a Sabesp.

Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que, mesmo com a saída do Cantareira do volume morto, a população deve continuar economizando porque a crise hídrica ainda não acabou em São Paulo e os reservatórios devem demorar para se recuperarem totalmente.

“Se tivermos os próximos três anos como o que estamos tendo agora, ficaríamos numa situação um pouco mais tranquila. Mas isso não significa que estejamos longe de uma nova crise. Se essa mudança no comportamento dos consumidores [redução no consumo] for permanente, a gente teria uma ‘folga’ no sistema”, afirmou o pesquisador da USP e Uninove, Pedro Cortês.

A própria Sabesp faz, no comunicado, um alerta sobre a importância de os clientes pouparem água, mesmo com o período de chuva e alta no nível das represas. Segundo a companhia de abastecimento, a estiagem de 2014 foi a maior registrada em mais de 80 anos na Região Sudeste