Alunos de escola do DF ficam três semanas tendo aula no escuro

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A escola classe 06 do Gama, no Distrito Federal, funciona sem luz desde o dia 25 de fevereiro. Um curto-circuito no laboratório de informática afetou a rede elétrica de todo o prédio. Apesar disso, os alunos continuaram a assistir às aulas no escuro. A escola atende 308 estudantes do 1º ao 5º anos do ensino fundamental

Nesta segunda-feira (18), a direção da escola suspendeu as aulas, após recomendação da Defesa Civil, que vistoriou o colégio na última quinta-feira (14), a pedido da diretora, Cássia Nunes. O órgão verificou a presença de fios elétricos expostos, que colocam em risco a vida dos alunos, de 6 a 12 anos.

Questionada pelo G1, a Secretaria de Educação do DF não soube informar quando a escola
classe foi reformada pela última vez, o porquê da demora em arrumar o sistema elétrico. Ela informou que os dias letivos suspensos serão repostos.

Desde quarta (13) os alunos vinham sendo liberados uma hora mais cedo devido à falta de condições para as aulas. Alunos ouvidos pelo G1 disseram que não conseguiam enxergar o quadro-negro e tinham de forçar a vista para conseguir ler. Muitos disseram sentir dores de cabeça e nos olhos.

“Não dá para ler direito. Fica pior ainda quando chove, como nesses dias. Tem que fechar a janela para não molhar a gente na sala, mas aí não dá para ver nada. Fica tudo escuro”, disse um aluno.

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Alunos durante aula em sala sem energia elétrica na escola classe 06, no Gama (Foto:Alexandre Tolentino/Divulgação)

Na semana passada, operários começaram a arrumar a rede elétrica, mas, para isso, o forro do teto teve de ser retirado, o que causou poeira e irritação em alunos com rinite alérgica. Com os reparos, fios elétricos expostos foram deixados na cozinha da escola e em diversas salas.

Entre as estruturas do prédio, escondidos pela forração, há ninhos de pássaros. Há goteiras na biblioteca e, quando chove, a água escorre água pelas lâmpadas no teto.

A cozinha teve de ser desativada e alimentos perecíveis, como carne e frango para o lanche das crianças, estragaram. Agora a comida é guardada num colégio próximo, mas são os funcionários da escola classe 06 que buscam os alimentos com os próprios carros todos os dias. Na maior parte da semana passada, o lanche foi composto apenas por biscoito e suco.

De acordo com Cássia, o colégio foi fundado em 1965 e nunca passou por uma grande reforma. Desde o curto-circuito, ela entrou em contato com o Conselho Regional Escolar do Gama, que recomendou a continuidade das aulas. O conselho enviou nos dias seguintes ao acidente técnicos para trocar reatores e lâmpadas. Porém, a rede elétrica voltou a ter curto-circuito.

A Defesa Civil foi então chamada pelo conselho a pedido da diretora. Os agentes que estiveram no local na quinta afirmaram que toda a fiação elétrica e o forro do teto teriam de ser trocados. O forro, segundo um dos agentes, é provavelmente da época da fundação da escola e oferece perigo no caso de um incêndio.

Um engenheiro da Secretaria de Educação esteve na escola na última sexta (15). A escola ficará interditada até esta quarta (20), quando haverá uma reunião entre pais e a direção para avaliar se o prédio tem condições de receber os alunos, levando em consideração o andamento das obras.

Falta de organização
Para o doutor em políticas públicas da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, falta uma boa gestão e um sistema de prevenção e de manutenção para as escolas.

“O Estado é responsável não só pela oferta da educação, mas por toda a cadeia que a envolve. Falta um canal de comunicação direto com os conselhos escolares, planejamento antes do ano letivo, além de tudo ser muito burocrático.”

Segundo Castioni, a alfabetização das crianças da escola classe 06 do Gama já está comprometida. “A infraestrutura da escola, bem como os professores e o material escolar, são ingredientes fundamentais para garantir o sucesso do rendimento dos alunos. Podemos dizer que depois do início do ano letivo, elas não tiveram aula. Os insucessos da educação no Brasil acontecem por causa disso”, afirma.

Fonte: G1