Dilma e Lula tentam acalmar o PMDB e contornar crise com a base

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Petistas reúnem tropa de choque para discutir problemas que se arrastam desde antes do carnaval. O principal entrave é a crise com o partido aliado, cada vez mais distante do PT

Passada a folia do carnaval, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltaram à realidade em reunião no Palácio da Alvorada com o staff da pré-campanha de reeleição. Uma reforma ministerial paralisada, uma crise com o PMDB mais forte do que nunca, impasses nos palanques eleitorais e as negociações para que integrantes do governo deixem a máquina para assumir funções na corrida eleitoral foram os principais pontos do encontro, que contou ainda com as presenças do chefe da Casa Civil, ministro Aloizio Mercadante; do presidente nacional do PT, Rui Falcão; do chefe de gabinete, Giles Azevedo, e de Franklin Martins, ex-ministro da Comunicação de Lula.

Falcão é um dos protagonistas da nova crise com o PMDB, principal aliado do PT no plano nacional. No domingo, durante o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro, Falcão afirmou que as declarações dadas pelo presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, de que o partido apoiaria a pré-candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB), decorriam de uma insatisfação pela demora da presidente Dilma em concluir a reforma ministerial.

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), não gostou das palavras de Falcão. Acusou o petista de sempre atrapalhar as negociações por onde passa e ameaçou apoiar o desembarque do PMDB nacional da aliança com Dilma Rousseff. Ontem, o presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, tentou apaziguar os ânimos. “O partido é aliado de primeira hora da presidente. Temos o vice-presidente da República (Michel Temer), o presidente da Câmara (Henrique Eduardo Alves), o presidente do Senado (Renan Calheiros), a maior bancada no Senado e a segunda bancada da Câmara. Mas essa (reforma ministerial) é uma decisão única e exclusiva da presidente da República”, disse.