Eixo monumental é fechado por servidores

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Duas categorias engrossaram a onda de manifestações em Brasília ao reivindicarem melhorias nas condições de trabalho, na manhã de ontem. Os servidores públicos da Administração Direta e os rodoviários do Grupo Amaral paralisaram as atividades e saíram em protesto no Eixo Monumental e na DF-463, em São Sebastião, respectivamente. As duas vias foram bloqueadas pelos manifestantes.

Cerca de 600 servidores públicos, de acordo com a Polícia Militar, reuniram-se no Centro de Convenções por volta das 10h20 e fizeram uma caminhada até o Palácio do Buriti. Eles chegaram a fechar todas as faixas da via N1 do Eixo Monumental, por volta do meio-dia. O grupo exige a manutenção da escolaridade e dos direitos adquiridos. O GDF negocia com a categoria, que reúne 11 mil trabalhadores, a reestruturação da carreira de Políticas Públicas e Gestão Governamental (PPGG). “Queremos oferecer à população do DF um serviço de qualidade, por isso a exigência de servidores com nível superior “, destacou o presidente do Sindireta, Ibrahim Yusef.

O congestionamento no Eixo Monumental durou quase 30 minutos, e os servidores só recuaram depois que o secretário de Administração Pública do DF (Seap), Wilmar Lacerda, aceitou conversar com a categoria na praça do Buriti. Os manifestantes exigiram uma reunião com o governo para negociar o plano de reestruturação da carreira. “Uma pequena comissão vai dialogar com o GDF para modificar os pontos estabelecidos no plano da PPGG. O intuito é votar em assembleia, na próxima quinta-feira, as propostas do governo (veja quadro). Se não houver consenso, decretaremos greve”, contou Yusef.

Em nota à imprensa, a Seap informou que a proposta do governo não retira direitos dos trabalhadores, mas promove a melhoria da estrutura da carreira e das condições de trabalho. O comunicado ressalta que, durante as rodadas de negociações, com cerca de oito entidades associativas de servidores, somente um sindicato participa do diálogo com o GDF. “Estas entidades deixam transparecer as divergências entre elas e querem a prevalência de sua pauta corporativa em detrimento do conjunto dos servidores”, destacou o governo em nota.

Em São Sebastião, cerca de 200 moradores da cidade fecharam, na manhã de ontem, a rodovia DF-463 em apoio à paralisação dos motoristas e cobradores da empresa Rápido Brasília do Grupo Amaral. A mobilização causou um congestionamento de 4km e fechou a via nos dois sentidos por três horas e meia. Os funcionários da concessionária se recusaram a sair com os ônibus do Terminal Rodoviário de São Sebastião. Eles reivindicam melhores condições de trabalho e o pagamento de direitos trabalhistas, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O movimento não foi organizado pelo Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, de acordo com o presidente da instituição, João Osório. “O protesto não é um movimento do sindicato. É uma iniciativa dos próprios trabalhadores” disse.

A adesão da população ocorreu pouco tempo depois. Quando foram comunicados da suspensão do serviço, por volta das 6h, os usuários caminharam do terminal até o início da avenida principal de São Sebastião. Ao longo do caminho, novos adeptos eram arrebanhados nas paradas de ônibus. Às 9h30, o grupo seguiu, a pé, pela DF-463. A motivação para o protesto foi a tentativa de chamar a atenção da Secretaria de Transportes para a escassez de ônibus e o sucateamento dos veículos.

A maioria dos motoristas, no engarrafamento, mostrou-se favorável ao movimento. É o caso do bancário Júlio César Portela, 43 anos. “Estou aqui calmo e tranquilo. Já fui manifestante e meu sonho sempre foi ver a população lutando pelos seus direitos”, afirmou.

Outras pessoas, no entanto, tentaram negociar a liberação da passagem do ônibus que levava os visitantes da Papuda. “É uma injustiça, só tenho até meio-dia para chegar ao presídio para ver meu filho”, reclamou a cozinheira Maria de Fátima Costa, 50 anos. Às 12h, as vias foram desocupadas e os manifestantes iniciaram a volta para São Sebastião. O trânsito, no entanto, só foi normalizado cerca de uma hora depois.