Gestantes tem medo de fazerem parto no HRC

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O medo de um novo surto de bactérias na UTI neonatal do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) faz com que as gestantes fiquem receosas de dar à luz na unidade de saúde. Dois bebês morreram no último fim de semana, um deles pela bactéria Klebsiella. O exame do  outro bebê deu negativo para qualquer tipo de bactéria e a causa deve ser identificada em até 30 dias. O Conselho Regional de Medicina diz ter alertado a Secretaria de Saúde a respeito de problemas no HRC.

  Lotada, a emergência geral do hospital   contrasta  com a pequena sala da ala neonatal,  com poucas mulheres dispostas a estar ali. Pelo menos cinco haviam sido internadas para o parto, bem abaixo da média diária, de 20.

 A doméstica Tatiana Pires,   36 anos, se recusa a deixar seu primeiro neto nascer no hospital. Ela levou a filha, Vanessa Ellen, 18, que está na 41ª semana de gestação, ao HRC para fazer uma ecografia.

 “A enfermeira perguntou se ela já queria se internar e marcar o parto induzido, mas eu não deixei não. Espero que a recebam   em outro hospital, porque aqui ela não fica”, disse Tatiana.

 No domingo, a UTI chegou a ser interditada, mas foi liberada no dia seguinte. A orientação aos profissionais é   receber qualquer paciente que necessite do atendimento, mas muitas pessoas contaram que a própria médica sugeriu que fossem para outro hospital.

 A amiga de Marilane de Araújo,   Katiane, terá o seu quarto bebê e tentou ser transferida para o Hospital de Taguatinga. “Ela ficou com medo, mas  a enfermeira a acalmou”, relata Marilane.

Como aconteceu em abril, quando sete bebês morreram em um intervalo de 18 dias no mesmo hospital, mais uma vez o Conselho Regional de Medicina (CRM) preconizou a necessidade de melhorias na pediatria e neonatologia do HRC. “No primeiro dia deste mês fizemos mais uma fiscalização no hospital e notificamos a Secretaria de Saúde.

 Solicitamos correções em até 60 dias. O problema é sempre o mesmo: superlotação e falta    de profissionais”, explica o presidente do CRM, Iran Cardoso. O conselho diz que os pedidos  de fiscalização são constantes no HRC.

 A entrada de médicos, visitantes e até pacientes com roupas da rua facilitam a colonização de bactérias que convivem com pessoas saudáveis, mas podem ser fatais para recém-nascidos ou doentes com imunidade baixa. “Uma das grandes causas de mortes dentro do hospital é a infecção hospitalar. Além das bactérias que já fazem parte do cotidiano hospitalar, têm as que vêm da rua também”, informa  o vice-presidente Centro da Associação MédicaBrasileira, Elairson Rabelo.