Morre mulher com AVC que esperou quatro horas em corredor de hospital

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Mulher ficou horas no corredor de hospital em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM)

Mulher ficou horas no corredor de hospital em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM)

A moradora de Piedade (SP) de 59 anos que sofreu AVC e ficou esperando por horas no corredor do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) morreu na manhã desta sexta-feira (19). A informação foi confirmada pela Secretária de Estado da Saúde.

De acordo com a Secretaria de Saúde, a paciente faleceu por volta das 10h30 no Hospital Regional, que faz parte do CHS. O corpo dela foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para apurar a causa da morte.

A nora de Edna Cardoso Pinto filmou a situação com que ela foi recebida no CHS na quarta-feira (17), quando aguardou quatro horas para ser atendida.

As imagens mostram Edna em uma maca no corredor do Hospital Regional de Sorocaba, que faz parte do CHS. Além do AVC, a moradora teve uma parada cardiorrespiratória. Na quarta-feira (17), ela conseguiu uma vaga na UTI e foi transferida. A família conta que Edna ficou durante quatro horas no corredor.

No local, o enfermeiro que a acompanhou na transferência e parentes ajudaram a manter a respiração dela com ventilação manual. “A tomografia ficou pronta e o neurologista ficou de avaliar. Ele pegou o exame e disse que não era caso para ele. Que ela iria a óbito em poucas horas e que não iria perder tempo. Que poderia [a paciente] colocar na ambulância devolver para Piedade”, conta a nora da mulher, Lídia Barros.

Os parentes relatam um descaso da equipe de enfermagem do hospital. Uma das parentes afirma que Edna só foi encaminhada para um leito depois que ela começou a gravar com o celular. “Colocaram no politrauma, mas não receberam como internação. Só mais tarde informaram que iriam receber o caso”, diz.

A Santa Casa de Piedade informou que a paciente deu entrada na unidade no dia 16 de fevereiro, mas como seu estado de saúde era grave, o hospital solicitou vaga à Central Reguladora de Vagas do Estado (Cross), que conseguiu rapidamente. Ou seja, não foi uma “vaga zero” e sim cedida, o que significa que havia leito para a paciente.

Em nota, o Conjunto Hospitalar de Sorocaba afirma que não foi negado atendimento a paciente “de maneira alguma” e que a vaga no CHS foi autorizada às 6h30 de quarta-feira para que ela pudesse passar por uma avaliação na unidade. Porém, a paciente deu entrada na unidade 10 horas após a autorização e, além disso, foi transferida pela Prefeitura de Piedade em condições inadequadas.

Paciente sofre AVC e espera quatro horas no corredor de hospital (Foto: Moisés Soares/ TV TEM)

Paciente permaneceu quatro horas no corredor de hospital (Foto: Moisés Soares/ TV TEM)

Ainda segundo a nota, a ambulância não dispunha dos equipamentos necessários – entre eles, um respirador – que poderiam servir de conexão com a rede do hospital. Tão logo a paciente deu entrada na unidade, recebeu o devido atendimento e foi avaliada pelos profissionais do CHS. Na tomografia foi constatado que o caso não era cirúrgico. O hospital decidiu mantê-la na unidade e neste momento está recebendo todos os cuidados necessários.

Liberação de vagas
Segundo informações dadas pela Secretaria Estadual de saúde em uma reportagem feita pelo tem notícias em outubro do ano passado, Sorocaba é referência na região e atende 48 municípios, mas tem um déficit de 400 leitos de UTI. Atualmente, conta com 500 leitos de SUS distribuídos no Hospital Regional, no Santa Lucinda e Santa Casa. Desses, apenas 30% são para pacientes de Sorocaba.

Quem precisa de leito é encaminhado para a Central de Regulação de Vagas do município, que disponibiliza de acordo com o quadro de saúde da pessoa. O grau de urgência e emergência. O estado mantém 155 vagas que são disponibilizadas pelo Cross, que disse que estão previstos 96 novos leitos de UTI com a construção de um novo hospital na cidade.

Paciente sofre AVC e espera quatro horas no corredor de hospital (Foto: Moisés Soares/ TV TEM)

Nora gravou cena após se indignar com possível falta de atendimento (Foto: Moisés Soares/ TV TEM)