Na falta de professor, diretora e vice se revezam em classe de aula no DF

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Alfabetização na escola classe 415 Norte está comprometida, dizem pais.
Secretaria de Educação enviou respostas após publicação da reportagem.

Alunos da escola classe 415 Norte, em Brasília, estão sendo prejudicados no processo de alfabetização por causa da falta e troca constante de professores, diz a diretora Nailda Rocha. Para tentar minimizar o problema, a diretora, a vice-diretora e a coordenadora da escola têm se revezado para dar aulas para as crianças do 1º ano.

De acordo com a diretora, a professora do 1º ano no turno matutino está grávida e só deu aula na primeira semana do ano letivo. A professora entrou com atestado médico e deve voltar à sala de aula nesta quarta-feira (20), mas já está com a saída da licença-maternidade programada para junho.

Durante o período do atestado, nenhum professor substituto foi convocado pela Secretaria de Educação. “Estamos sobrecarregadas. Mesmo assim, uma coisa com a qual a direção e os professores se comprometeram é de nunca ter de mandar os alunos de volta para casa. Nos esforçamos para que tudo ocorra direito, mas não temos a estrutura por trás adequada”, afirma Nailda.A Secretaria de Educação do DF (SEDF) disse que a professora ficou afastada por um período considerado curto (15) dias e, por conta disso, não é possível contratação temporária, tendo em vista que professores não querem assumir a carga pelo curto período de tempo. De acordo com a secretaria, os alunos não perderam aula.

No turno vespertino do 1º ano, o professor efetivo só apareceu na semana pedagógica, antes do começo do ano letivo, em 14 de fevereiro, e nunca chegou a pisar em sala, diz. A professora temporária contratada para substituí-lo chegou apenas neste mês e, de acordo com a direção da escola e pais, não segue o planejamento pedagógico estabelecido para alfabetizar as crianças. Para a diretora, isso acontece porque ela quer se transferir de escola.

A representante dos pais de alunos, Meire Amorim, afirma que as crianças já estão com a alfabetização prejudicada. “Meu filho, que está no 1º ano, fala que não está aprendendo. Ele perdeu totalmente o estímulo e nem quer mais vir à escola. Isso está acontecendo com outros alunos também.”

De acordo com a SEDF o professor efetivo deve retornar as atividades na quarta-feira (20). Quanto à professora temporária, a secretaria alegou que ela pediu transferência para outra unidade educacional.

Falta de estrutura


A educação integral na escola classe 415 Norte ainda não tem o suporte necessário para cuidar dos alunos, diz a diretora, a representante dos pais e a presidente do Conselho Escolar, Sandra Fernandes.

O colégio tem 80 alunos inscritos no ensino integral – quem estuda de manhã, tem atividades complementares à tarde e vice-versa quatro vezes por semana. Essas atividades acontecem no Clube do Rocha, no Setor de Clubes Sul. Entretanto, o governo do Distrito Federal não disponibiliza meio de transporte para o deslocamento dos alunos da escola para o clube. Atualmente, os pais estão dividindo o valor de um ônibus escolar para as crianças.

Quem se reveza na função de levar as crianças ao clube é, mais uma vez, a direção da escola. Para ajudar a tomar conta dos alunos, a escola convoca funcionários de outras áreas, como a copeira do colégio.

Ooutras três escolas classes no Itapoã e no Paranoá também têm
direito ao clube, mas os pais não podem arcar com os custos de transporte e, assim, os alunos não desfrutam do ensino integral.

Além disso, as atividades extras correm o risco de serem canceladas, pois não foram encontradas pessoas dispostas a serem coordenadoras exclusivas na educação integral, afirma Nailda.

Segundo a SEDF, os educadores não demonstraram interesse em assumir a coordenação de educação integral. A secretaria informou ainda que a Coordenação Regional de Ensino está empenhada em conseguir esses coordenadores o quanto antes. Ela informou que os dias letivos suspensos serão repostos.