Turquia usa veículos blindados para retirar manifestantes de praça

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O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta terça-feira os manifestantes que protestam contra seu governo, dizendo que não dará mais provas de “tolerância”. Logo depois de a polícia dispersar ativistas com gás lacrimogêneo e retomar o controle da Praça Taksim, em Istambul, Erdogan afirmou que as manifestações foram usadas como justificativa para atos de vandalismo e que foram motivadas pela imprensa internacional e pelas redes sociais.

“Falo para aqueles que querem continuar com isso, que querem continuar aterrorizando: este assunto acabou. Não haverá mais tolerância”, afirmou o premiê no Parlamento de Ancara, diante dos deputados do seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

“Peço a todos os ativistas no Parque Gezi (vizinho à praça) que entendam o que se passa. Peço a todos que são honestos que abandonem esse lugar. Como primeiro-ministro, peço isso”, disse Erdogan, pouco depois de a polícia ter desocupado a praça. “Os meios de comunicação internacionais estão desinformando de forma sistemática. E, com as instituições de imprensa mal-intencionadas, aumentaram os protestos”, disse o premiê.

Erdogan também defendeu a intervenção policial desta terça-feira. “O que os manifestantes esperam? Que nos ajoelhemos diante deles?”, disse aos parlamentares. Os manifestantes acusam o primeiro-ministro de liderar um governo cada vez mais autoritário e de impor valores islâmicos à população.

As declarações de Erdogan, mais uma vez, contrastam com a de membros de seu governo, como na semana passada, em que o vice-premiê, Bulent Arinc, pediu desculpas pela repressão truculenta aos protestos enquanto o primeiro-ministro garantia que “não iria ceder’. Nesta terça, o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, disse em entrevista à imprensa que a intervenção policial na Praça Taksim ocorreu apenas para limpá-la dos cartazes e bandeiras, e prometeu que as forças da ordem não entrariam no Parque Gezi.

“Há enfrentamentos com pequenos grupos marginais. Mas não houve grandes enfrentamentos. Agradeço àqueles no Parque Gezi que se afastaram dos outros grupos”, disse o governador. Mutlu acrescentou que a polícia permanecerá na Praça Taksim para não permitir o “retorno dos cartazes e bandeiras dos manifestantes”. “O centro cultural Atatürk (situado na praça) foi transformado em um muro de publicidade para todo tipo de organizações legais e ilegais. O povo ficou incomodado e, além disso, a imagem da Turquia ficou manchada no exterior”, afirmou o governador.

O governador disse, ainda, que alguns manifestantes usam bombas de fumaça “para dar a impressão de que a polícia utiliza gás lacrimogêneo indiscriminadamente e, assim, prejudicar a imagem das forças da ordem”. Questionado sobre as informações da imprensa turca de que policiais à paisana provocam os manifestantes e lançam coquetéis molotov, o governador disse que trata-se de “uma mentira das redes sociais”.

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Policia usa veículos blindados 

  Para dispersar os manifestantes nesta terça-feira, a polícia utilizou veículos blindados, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água. Por meio de alto-falantes, a polícia anunciou que não faria a retirada dos manifestantes reunidos no acampamento do Parque Gezi. Informou que apenas iria esvaziar a Praça Taksim e seus arredores, o que se confirmou pouco depois do início da operação.

Os protestos antigoverno na Turquia começaram após o anúncio da destruição do Parque Gezi para um projeto de urbanização (o local deve ser transformado em um centro de compras) – plano que será mantido, garantiu o premiê Recep Erdogan.
No entanto, as manifestações acabaram se tornando uma expressão mais ampla do descontentamento popular com os planos de desenvolvimento urbano do governo, com o apoio aos rebeldes na vizinha Síria – que muitos acreditam ter feito o conflito chegar ao território turco – e também com medidas vistas como autoritárias, entre elas a recente restrição à venda de bebidas alcoólicas na madrugada e as advertências contra demonstrações públicas de afeto.
Nas últimas duas semanas, quatro pessoas, incluindo um policial, morreram nas manifestações, e centenas ficaram feridas ou foram detidas.Os manifestantes pedem a libertação das pessoas detidas, o fim do projeto urbanístico da Praça Taksim, a proibição do uso de gás lacrimogêneo e mais respeito à liberdade de expressão.