Vargas falha ao tentar explicar uso de jatinho

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As explicações do vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), sobre a viagem em jatinho do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, não convenceram nem mesmo os próprios correligionários, e o petista começa a enfrentar pressão interna no partido para renunciar ao mandato…

 A ideia, discutida nos bastidores, é que ele deixe o Congresso antes que o episódio chegue a prejudicar o PT nas eleições. “Esse assunto está em curso no partido”, confirmou um deputado petista. Oficialmente, a opção está descartada por assessores do parlamentar.

 Em discurso no plenário, na noite de ontem, Vargas falhou, mais uma vez, ao tentar explicar os desencontros nas respostas sobre a proximidade com Youssef. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o doleiro tinha emprestado um jatinho para o vice-presidente da Câmara petista viajar de Londrina (PR) a João Pessoa em janeiro durante o recesso parlamentar. Na ocasião, Vargas levou sete convidados, incluindo parentes.

 Na segunda-feira, o deputado alegou que havia pedido o avião emprestado porque os voos comerciais estavam muito caros em janeiro. No dia seguinte, disse que só embarcou porque pensou que se tratava de uma “carona”. Ainda segundo Vargas, ao ser informado de que a aeronave era fretada, quis pagar R$ 20 mil, custo estimado do combustível. No discurso de ontem, admitiu ter voado de graça na aeronave de Youssef, a quem disse conhecer há 20 anos, mas foi evasivo ao tentar se justificar. “No fim do ano passado, me fiando nessa relação de mais de 20 anos, procurei Alberto Youssef, porque ele havia sido dono de um hangar, para que viabilizasse uma aeronave para minha viagem de início de ano. Viajei em 3 de janeiro e, no dia 15, voltei com a minha família”, afirmou. “Claro que, com relação ao avião, eu reconheço, fui imprudente. Foi um equívoco e peço desculpas aqui por ter exposto a minha família”, completou.

 O episódio levou alguns parlamentares a associar André Vargas ao ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), cassado após ser tornada pública a relação dele com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 2012. Mas um colega petista, que não quis se identificar, prefere separar os dois casos. “Um era funcionário de bicheiro, outro usou o jatinho do doleiro”, comparou.

Saúde

Segundo investigações da Polícia Federal reveladas pela Folha de S.Paulo, Vargas e o doleiro mantinham conversas frequentes. Em uma delas, eles discutem assuntos de interesse de Youssef no Ministério da Saúde. Não é especificado qual seria o tema, mas, nas transcrições da PF, as conversas envolvem o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Carlos Gadelha.

 Ainda no discurso de ontem, André Vargas negou conhecer o secretário. “Nunca estive com Gadelha ou com qualquer outro funcionário para tratar desse projeto. No vazamento, eu digo que a reunião com Gadelha foi boa porque me encontrei com um representante oficial da empresa (Labogen) no aeroporto e ele disse que a reunião com Gadelha foi boa”, disse, referindo-se à companhia que, segundo a PF, teria sido usada por Youssef para enviar R$ 37 milhões ao exterior. Ao deixar a Câmara, o vice-presidente não quis falar com a imprensa.

 Após considerar as explicações de Vargas inconsistentes, o PSol vai fazer um ofício à Mesa Diretora cobrando apurações das denúncias envolvendo o vice-presidente. “O discurso foi absolutamente insuficiente e, como membro da Mesa, ele deveria ser exemplo em não aceitar essas bondades indevidas”, criticou o deputado Chico Alencar (RJ). Ainda não há data para formalizar o pedido.

 Claro que, com relação ao avião, eu reconheço, fui imprudente. Foi um equívoco e peço desculpas aqui por ter exposto a minha família”. André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara

Fonte: Blog do Edson Sombra